To Good To Go, a app contra o desperdício alimentar

Provavelmente já todos nos confrontamos com publicidade nas redes sociais de um certo alimento (não poucas vezes um hamburguer com bom aspeto) e uma mensagem a alertar para o facto de estar prestes a ser desperdiçado. Esse alerta é feito para nos chamar a atenção para a problemática do desperdício alimentar e para uma forma relativamente simples e muito vantajosa para nós, consumidores, de tirarmos proveito dessa mesma luta.

Chama-se To Good To Go e é uma das novas sensações das aplicações móveis, sendo um dos serviços em maior crescimento nos últimos dois anos. O serviço foca-se em fazer a ponte entre restaurantes, supermercados ou pastelarias e os consumidores que, através da aplicação, adquirem produtos que de outra forma seriam simplesmente deitados ao lixo.

Esta forma de transferir comida sem destino para alguém interessado em utilizar a app é relativamente simples e acaba por garantir que ambos vendedor e comprador saem felizes de um negócio que se faz por poucos euros. Ao aceder à aplicação, o utilizador é confrontado com uma página inicial que procura estabelecimentos aderentes ao serviço na zona (é possível aumentar o raio de pesquisa da aplicação, conforme mais conveniente ao utilizador). Da área pesquisada, são revelados os estabelecimentos aderentes, que podem preparar uma ou mais Magic Box (“caixa mágica”) com comida pronta para consumo e por um preço bem abaixo daquilo que seria o preço de venda.

Utilizando como exemplo uma pastelaria. Havendo tantos produtos que ao fim do dia não são comprados, é de todo conveniente para essa pastelaria preparar algumas Magic Boxes com os bolos, doces e pão de sobra, que podem ser vendidos através da app e gerando algum rendimento. Já do lado do consumidor, é uma forma acessível de comer algumas coisas boas, sendo até uma forma de experimentar alguns produtos menos acessíveis, com restaurantes caros a prepararem caixas surpresa que se vendem através da aplicação a um terço do preço de venda em restaurante. Quando a reserva é feita, o consumidor apenas necessita de se deslocar à loja onde fez a compra e levantar a comida.

Apesar do aparente negócio de sonho, os consumidores devem ter em conta alguns pontos que não são totalmente benéficos. Afinal, estamos a falar de sobras, nunca sendo certo que comida terá confecionada a mais num restaurante, ou que tipo de pão uma padaria venderá menos num determinado dia. Outro ponto que complica as contas será o do horário, já que a encomenda de uma Magic Box está dependente da janela em que o estabelecimento as disponibiliza. Restaurantes tendem a disponibilizar estas caixas depois do horário de almoço entre as 14:30 e as 15:00 horas, e também à noite, entre as 22:30 e as 23:00, normalmente horas onde a maioria já se terá alimentado.

Para além destes pontos negativos, é importante salientar que a To Good To Go trata o consumidor como uma parte importante no serviço, já que é o consumidor final e o interessado em dar um destino à comida de sobra. Por isso mesmo é valorizado o tratamento que recebe pelos estabelecimentos e permite aos utilizadores recorrerem a um sistema de avaliação para os estabelecimentos participantes, não só para avaliarem a qualidade da comida, como para denunciarem qualquer falha. Aliás, nesse próprio sistema de avaliação, o utilizador pode receber de volta o seu dinheiro se não receber a comida por culpa do vendedor, que por sua vez pode ser retirado da aplicação mediante as avaliações negativas que recebe.

No final, a To Good To Go é uma aplicação que se torna conveniente para o consumidor, para o vendedor e também para a sociedade. Para o primeiro, há uma possibilidade de obter boa comida por um preço acessível, ainda que fora de horas. Para o segundo, há uma forma de consciencializar-se do desperdício alimentar que causa com a sua atividade e fazer até uma melhor gestão dos produtos que gera. Por último, e não menos importante, é feito um melhor aproveitamento dos recursos utilizados para produzir comida que noutras situações seria completamente desperdiçada, algo que em 2022 é cada vez mais tema na sociedade e que gera preocupação pela indiferença com que algumas entidades ignoram o desperdício alimentar.

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