Seis critérios a ter em conta na compra de um smartphone

Estar no mercado à procura de um novo smartphone acontece a várias pessoas diariamente, sendo para muitos dos leitores do Updated até uma missão interessante, dado ser a oportunidade ideal para fazer a escolha ótima sobre um equipamento que preencha todos os nossos requisitos e desejos, dentro do preço que nos for mais conveniente.

A verdade é que nem toda a gente tem o mesmo conhecimento sobre esta nossa forma de carregar o mundo nos bolsos, sendo que a compra de um novo telemóvel pode mesmo tornar-se algo confusa em 2022. Afinal, este é um mercado ultra competitivo, com várias marcas de destaque a oferecerem equipamentos de todas as cores e feitios, bem como de várias gamas e preços. Olhando de fora, escolher um smartphone adequado às nossas necessidades pode levar a que, em muitos casos, a compra final não seja a mais adequada, podendo o produto não corresponder às expectativas ou até haver um excessivo gasto para aquilo que realmente se desejava.

Nesse sentido, e ainda que não se dispense a palavra de um amigo entendido que todos conhecemos (aquele que troca de smartphone a toda a hora), o Updated vem através deste artigo tentar ajudar os nossos leitores a escolher um smartphone que sirva o seu propósito de forma adequada, sem a necessidade de ir incomodar o tal amigo entendido (e quem sabe, no final, até o surpreender).

Escolher um sistema operativo

Na nossa opinião, ainda que obviamente discutível, a primeira questão à qual o comprador deve responder será sobre qual o sistema operativo para o seu smartphone. Há uma grande divisão no mercado entre o iOS da Apple e o mercado Android, sendo que, para alguns fãs mais fieis, transpor esta barreira do sistema operativo para o sistema rival está completamente fora de questão, por diversos motivos.

Aqui, não se trata só de qualidade, mas sim de preferência. Estando à procura de um smartphone, devemos definir se queremos explorar a imensidão do mercado Android ou focar-nos nas propostas da Apple, conforme aquele que mais habituados estivermos ou mais nos for conveniente.

Mas mesmo que nos voltemos para o sistema da Google, não podemos esquecer que  há várias marcas com abordagens diferentes ao software e que tornam a utilização dos dispositivos personalizada à sua maneira, ainda que mantenham uma base muito semelhante. Assim, será sempre diferente comprar um terminal da Samsung ou um Xiaomi, já que ambas as marcas oferecem as suas próprias interfaces especialmente desenvolvidas para Android (OneUI e MIUI, respetivamente).  

Definir um preço máximo

Escolhida a equipa iOS ou Android, o próximo passo é definir um preço. Definir um orçamento para adquirir um smartphone é uma boa forma de cortar imediatamente da lista de possíveis candidatos todos aqueles que excedem o nosso budget.

Em 2022, impor um limite de preço não é necessariamente uma coisa má. As marcas oferecem opções para todas as categorias de preço e é cada vez “mais barato” ter um smartphone de grandes qualidades. Isto é, mesmo definindo um limite de preço em 200 ou 300 euros, é possível olhar para as opções do mercado e adquirir um modelo que nos vai durar confortavelmente para os próximos três anos sem nos desiludir.

Assim, é importante definir a nossa meta de gastos nesta aquisição. Ao aderir à maioria das lojas online é possível fixar um limite máximo e encontrar os terminais que se enquadram nas nossas expectativas de gastos. E, com alguma sorte, várias promoções podem trazer outros modelos menos acessíveis para um valor que esteja dentro do nosso orçamento.

Design e construção: beleza e durabilidade são importantes!

Não é importante para todos, mas é importante para a maioria. O primeiro contacto que temos com um smartphone é com o seu design e não é preciso mais vaidoso para se pretender obter um terminal que nos encha o olho. Neste aspeto, o mercado oferece-nos com designs cada vez mais variados e que com a chegada dos smartphones dobráveis terá tendência a ficar cada vez mais criativo.

Não só o desenho pode ser atraente, mas também as combinações e opções de cores que as marcas oferecem pode ser um aspeto curioso, já que, especialmente das marcas chinesas, temos visto cada vez mais propostas aventureiras à procura de se destacarem.

Mas nem toda a gente vê o aspeto do terminal como algo extremamente importante. Afinal, muitos passam de imediato a colocar uma capa protetora que de si retira toda a beleza do design. Assim, há outras prioridades na construção para além do seu design.

Ao adquirirmos um smartphone, é importante perceber os materiais utilizados. Conforme o preço sobe, é torna-se mais habitual o uso de materiais caros e de vidro resistente Gorilla Glass da Corning. Este material terá sempre um toque mais premium face ao plástico utilizado em alguns modelos e será mais resistente a riscos. No entanto, não podemos esquecer que, no que toca a quedas, não só o vidro será mais afetado, como será mais caro de reparar.

Há ainda que ter em conta as resistências que a construção oferece. Não é incomum vermos as marcas oferecerem resistência IP68 nos seus modelos, que oferece resistência à água (até 1,50 metros de submersão em água durante 30 minutos) e a pó. Esta resistência é bem-vinda, já que o terminal é construído com os isolamentos necessários para resistir a condições mais adversas. Esta é portanto uma característica a ter em conta quando compramos um dispositivo, já que pode ser uma grande vantagem.

Não podemos esquecer que, sendo este o nosso principal “portal” para a internet e todo o conteúdo a si inerente, é importante escolher não só um ecrã adequado às nossas necessidades em tamanho, mas também em qualidade. O mercado tem avançado para a tecnologia OLED a grande velocidade, sendo que até a gama-média é já dominada por esta tecnologia, que oferece melhor qualidade de imagem e maior eficiência energética.

Outros pontos a ter em conta são a resolução, deverá oscilar sempre entre o Full HD (1080p) e o Quad HD (1440p) em 2022. Mas para aqueles que gostam de uma experiência de utilização suave, não podemos esquecer a taxa de atualização. Afinal, grande parte do dia estamos a navegar nas redes sociais ou entre sites e, com uma maior taxa de atualização, esta navegação torna-se bem mais agradável. Ao escolher um smartphone, será sempre importante procurar o mágico número “120Hz”, sendo que os “90Hz” serão também uma opção muito válida, já que elevam a suavidade nas transições sem penalizar tanto a bateria.

Desempenho: quão potente deve ser o smartphone?

As coisas começam a ficar interessantes quando falamos da potencia do smartphone. Afinal, quem deseja um telemóvel lento e que nos tira a paciência apenas ao fim de um ano? Ao olharmos para a lista de especificações, que não poucas vezes é detalhada ao pormenor e com números “a monte” pode tornar-se confuso entender qual a melhor opção de configuração.

E para entender qual o smartphone com a configuração certa, é também necessário entender qual a necessidade do utilizador. O utilizador “médio”, aquele que gosta de ver vídeos no smartphone, aceder às redes sociais e acompanhar as novidades na internet, bem como fazer as necessárias chamadas e enviar mensagens de trabalho, pode ter pela frente todo um mercado de opções que o satisfaçam.

Afinal, a escolha por um processador Qualcomm ou MediaTek de gama-média (séries Snapdragon 700 ou Dimensity 900 e 1000, respetivamente) serão mais do que suficientes para corresponder de forma eficaz a estas necessidades. A abordagem da parte dos utilizadores Apple é ainda mais facilitada, já que a opção por um modelo iPhone das anteriores gerações virá sempre equipada com um processador que será superior à grande maioria dos modelos gama-média do mercado Android.

No entanto, não será menos verdade que os processadores mais potentes do mercado, como o Snapdragon 8 Gen 1, o recém apresentado Exynos 2200 ou o Apple A15 Bionic existem por algum motivo. Para alguns utilizadores, a potência é a parte apelativa do terminal, seja por pretenderem a melhor experiência possível de utilização, seja por desejarem jogar qualquer videojogo mobile sem qualquer problema, ou até porque estes processadores garantem, teoricamente, mais anos de utilização, já que a sua tecnologia continuará a ser, por largos anos, suficiente para correr o software vindouro.

Mas não se esqueça o nosso leitor de um dos números que muitas vezes é quase dado como prioritário por alguns (muitas vezes, erroneamente): a memória. Ter mais memória significa, pelo menos teoricamente, que o smartphone terá uma maior capacidade e probabilidade de gerir melhor os trabalhos a executar e, por isso, apresentará resultados bem mais satisfatórios do que um modelo com menor capacidade.

Atualmente, poucos são os modelos que chegam ao mercado com menos de 4 GB de RAM, sendo que os 6 GB se vão tornando cada vez mais num requisito mínimo nos sistemas Android e os 8 GB um standard. Daqui para “cima”, ainda que se possa confirmar que mais memória nunca é prejudicial, também se poderá argumentar que será desnecessária para a grande maioria dos utilizadores que não se façam verdadeiros power-users.

O contrário não poderá ser dito quanto ao armazenamento. Com um standard atualmente fixado nos 128 GB, o mercado cada vez mais exige às marcas aumentarem as opções de memória interna de modo a garantir mais espaço para o conteúdo que armazenamos. E a verdade é que, para além do espaço, começa a ser importantíssimo olhar para a velocidade da memória. Com tecnologia UFS na grande maioria do mercado Android, é aconselhável procurar terminais com versões 3.0 ou superior.

Já quanto à Apple, o trabalho será mais simples, já que a dúvida estará sempre entre a quantidade de memória escolhida, pelo simples facto de vermos a empresa da maçã oferecer a super rápida memória NVMe, que continua a dar cartas.

Boa autonomia é sempre bem-vinda

E a seguir ao desempenho, a autonomia. Ninguém deseja ter no bolso um telemóvel que nos obrigue a carregar a meio do dia, que nos faça desesperar por encontrar uma tomada ou obrigar a carregar uma power bank connosco. Nesse sentido, é importante escolher um modelo que aguente várias horas de utilização, seja ela baixa, moderada ou intensa.

Mas há várias condicionantes para aferir a eficiência de um smartphone. O primeiro e mais óbvio é a capacidade da bateria. Uma bateria maior será, teoricamente, garantia de uma autonomia maior. Não é incomum encontrar atualmente no mercado smartphones com baterias de 5,000 mAh, o que se está a tornar por si num standard para várias marcas.

No entanto, de que adianta carregarmos modelos pesados e menos elegantes com grandes baterias se o próprio modelo não consegue fazer uma boa gestão da energia? Aqui entra o trabalho das marcas na gestão energética, sendo através do hardware, como do software.

Processadores e outras componentes mais eficientes vão garantir também uma maior eficiência. Olhar para o histórico de um processador no que toca aos telemóveis que integrou e ao desempenho a nível de bateria é uma boa forma de aferir se determinado modelo de processador é, de facto, bom neste papel da eficiência. Por outro lado, as marcas trabalham anualmente para melhorar o bom aproveitamento da energia disponível, pelo que os mais recentes processadores são progressivamente mais capazes de poupar bateria conforme nos convém. Isto é, ao escolher um modelo mais atual, haverá sempre maiores probabilidades de obter uma melhor poupança de bateria.

Por fim, o software e o trabalho das marcas na otimização do hardware que têm à disposição. No mercado temos encontrado nos últimos anos uma Apple que se revela rainha na eficiência, utilizando baterias, em média, menores do que a concorrência Android, mas aproveitando de uma otimização do seu software para uma gestão energética inigualável (atualmente, o Apple iPhone 13 Pro Max é reconhecidamente o modelo com maior autonomia entre as principais marcas).

Do mesmo modo, a Google e a Huawei estabeleceram-se como marcas que conseguem trabalhar os seus modelos para serem, de facto, muito eficientes, muito graças à otimização do software. Por outro lado, ambas Xiaomi e Samsung nem sempre conseguiram acompanhar os seus rivais, fazendo uso de maiores baterias para igualar o nível de autonomia apresentado.

Câmaras

Por fim, as câmaras. Mas ainda que neste artigo apareçam como tema final, não devemos menosprezar esta temática. Afinal, para muitos, a fotografia é a parte mais importante do smartphone. Se queremos um terminal com boa qualidade fotográfica, temos de olhar com olhos de “ver” ao sistema de câmaras que oferecem.

É prática comum no mercado encontrar modelos com quatro sensores fotográficos, mesmo nas gamas mais baixas. No entanto, esta inclusão de mais câmaras não é necessariamente sinal de qualidade, já que os sensores secundários são muitas vezes sensores de 2MP com um trabalho quase insignificante ou inútil para o utilizador.

Por outro lado, nem sempre uma maior quantidade de pixeis é sinal de que as nossas fotos vão ser melhores do que a do nosso vizinho. Veja-se, a título de exemplo, a Apple, que continua na frente do mercado neste capítulo, utilizando somente sensores de 12MP nas suas câmaras traseiras, enquanto Samsung, Xiaomi e Oppo já avançaram para sensores de 50, 64 e até 108MP.

É importante perceber as qualidades das câmaras dos terminais e a capacidade do software que as utiliza. Alguns sinais que devemos reparar nas especificações passa pelo tamanho dos píxeis, a largura da lente e a abertura, bem como a estabilização (estabilização ótica de imagem é padrão nas câmaras de topo). Por outro lado, as câmaras secundárias, como uma grande angular ou uma telefoto, serão sempre julgadas pelo seu angulo de captura e não distorção, no caso da primeira, bem como o seu alcance, estabilidade e pormenor, no caso do segundo tipo.

Conclusões

Comprar um novo telemóvel tem várias condicionantes que podem ser entusiasmantes para uns e confusas para outros. O modelo ideal nunca existirá, especialmente considerando a velocidade com que a tecnologia faz com que os modelos atuais vejam as suas características tornarem-se banais.

Nesse sentido, aconselhamos, por fim, o utilizador a procurar o balanço ideal entre racionalidade e o seu instinto ou desejo. Afinal, comprar um modelo meramente pela sua adequação a necessidades pode ser ingrato, quando outros modelos nos podem cativar mais, ainda que não preencham todos os requisitos que fixamos ou sejam exagerados para aquilo que procuramos.

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