Portuguesa desenvolveu biossensores para avaliar saúde de astronautas

The astronaut on a background of a planet

Um projeto liderado por uma investigadora do Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) colocou no espaço um conjunto de biossensores que têm como missão avaliar a saúde dos astronautas e turistas espaciais. 

O Lab-on-paper é um projeto multidisciplinar financiado pela European Low Gravity Research Association (ELGRA), resulta de uma colaboração que envolve cientistas da Universidade de Coimbra, do Instituto Superior de Engenharia do Porto e da Universidade Nova de Lisboa, provenientes de vários grupos/centros de investigação. Esta foi a primeira vez que uma equipa portuguesa fez um voo no foguetão MASER – e foi bem-sucedido do ponto de vista da comunicação com o foguetão e de gravação de imagem prevista. Num segundo lançamento espera-se conseguir recolher não só os dados que não foram agora obtidos, como alargar o âmbito científico da experiência.

O foguetão MASER, onde viajaram os biossensores, foi construído pela Agência Espacial Sueca e testado em lançamentos anteriores e agora foi lançado a partir do centro espacial de Esrange, no norte da Suécia, acima do círculo polar ártico, especializado em voos suborbitais.

“Esta experiência inédita pretende avaliar o funcionamento de sensores semelhantes às tiras de urina no espaço, onde a gravidade é quase nula”, explica a líder do projeto, em nota enviada à imprensa, acrescentando que recorreram a sensores de açúcar (glucose) ou de antibióticos (tetraciclina), com base em a tecnologias já desenvolvidas pela equipa, em 2014 e 2015 para este projeto que agora abre novas possibilidades.

Tudo foi pensado por forma a assegurar em Terra a operacionalidade dos biossensores, da estrutura mecânica desenvolvida para este efeito e da comunicação entre o foguetão e a experiência, encerrados numa caixa própria para esta viagem única.

“Como no espaço não há hospitais, são necessárias formas simples de analisar o estado de saúde dos astronautas ou dos turistas espaciais. A recolha de uma amostra de sangue é muito difícil, pois a ausência de gravidade dificulta a transferência de líquidos. Perante esta situação, os testes rápidos para saliva ou urina, que mudam de cor, são os mais adequados, uma vez que basta um pouco urina/saliva para se obter um resultado visível a olho nu. Até à data nunca foi testada a possibilidade de usar estes sensores no espaço”, revela.

Exit mobile version