A COVID-19 mudou o mundo em 2020, mantendo-se até ao dia de hoje um desafio diário para a sociedade que a tenta controlar e, eventualmente, erradicar. Este é, e continuará a ser, um processo demorado e que deve ser levado passo-a-passo, requerendo da população um elevado sentido cívico; dos líderes de cada Estado medidas de contenção da doença e incentivo à vacinação; e da ciência uma vacina o mais eficaz possível.
Todos estes elementos (e outros que não merecem menos destaque) são importantes para que possamos sonhar com um mundo sem COVID-19, mas nem todos parecem acreditar na capacidade do Ser Humano em dar resposta a tamanho desafio.
Por entre as dúvidas com as quais a sociedade é confrontada diariamente sobre a crise sanitária mundial, uma grande parte gira em torno das vacinas que são administradas. Atualmente, contam-se às milhões de doses tomadas a cada dia, o que eleva a esperança de um regresso à normalidade que conhecíamos no pré-COVID-19.
Talvez fruto do ceticismo humano, a vacina da COVID-19 tem sido apelidada por muitos descrentes de ineficaz e desnecessária e, mais grave ainda, têm sido criados vários mitos que podem desincentivar a população a aceitar administrar aquela que poderá ser a salvação de milhões de pessoas.
Assim, de seguida, vamos desmistificar alguns dos principais mitos sobre a vacina da COVID-19.
Se já fui diagnosticado com COVID-19, não preciso de tomar a vacina
Atualmente, ainda não existe informação suficiente por parte da ciência para tirar conclusões sobre o período de imunidade à COVID-19 logo após uma pessoa ter contraído a doença.
A conclusão a que se chega atualmente é a de que será sempre benéfico para as pessoas que já contraíram a doença tomarem a vacina, já que os riscos inerentes à doença em si e a forte possibilidade de ser novamente contraída, justificam um reforço das defesas do corpo humano através da vacina, que pode ser crucial para evitar efeitos mais gravosos.
A vacina contra a COVID-19 foi apressada no seu desenvolvimento e por isso não devemos confiar na sua eficiência e segurança
Este é um dos mitos mais comuns e que mais discussão gera na sociedade. Constantemente são colocadas questões sobre o desenvolvimento da vacina, num contexto de alta pressão e num período de tempo reduzido devido à sua urgência.
No entanto, há várias razões para a rapidez com que foi possível desenvolver vacinas prontas a administrar de forma segura e com uma comprovada eficiência, que tem prevenido milhões de mortes.
Assim, algumas das razões que nos permitem confiar na rapidez do desenvolvimento da vacina contra a COVID-19 passam pela forma como, por exemplo, a Pfizer/BioNTech ou a Moderna se basearam em métodos que vinham já a ser desenvolvidos, não requerendo, propriamente, um trabalho de raiz para esta vacina em específico.
Já quanto à testagem, ao contrário do que se pode acreditar, não foram avançados quaisquer passos, tendo sido cumpridos todos os protocolos, sendo certo que o que se verificou foi uma melhor agilização destes processos de testagem, devido ao caráter urgente.
Aliás, os governos dos vários países, tendo em consideração a grave situação vivida em todo o planeta, não colocaram entraves ao orçamento e aos meios para a pesquisa e o desenvolvimento da vacina por parte dos centros de investigação.
A vacina reduz a fertilidade das mulheres
Contrariamente ao que alguns rumores possam fazer acreditar, a fertilidade das mulheres não está em risco nem se verifica como um entrave à toma da vacina. Até ao momento, as vacinas são administradas e seguras e as entidades de saúde estão cientes sobre quais as vacinas mais adequadas para cada faixa etária.
A vacina possui uma dose enfraquecida da doença COVID-19
Ao contrário de algumas vacinas desenvolvidas com outros métodos em que é introduzida uma versão enfraquecida da “doença” no corpo da pessoa, de modo a haver uma resposta do sistema imunitário, a vacina contra a COVID-19 é uma vacina mRNA ou de Vetor Viral. Estes tipos de vacinas são alternativas que se têm afigurado cada vez mais viáveis, seguras e capazes de minimizar os riscos da vacinação, já que, em vez de uma versão enfraquecida da doença, a vacina dá ao corpo instruções sobre como combater a “doença”.
Isto é, as vacinas mRNA e de Vetor Viral utilizam formas indiretas de ensinar o nosso corpo a combater a doença. No caso das vacinas mRNA, estas dão instruções ao corpo para produzir uma proteína que aciona o nosso sistema imunitário e o força a recolher a informação necessária para, mais tarde, oferecer uma resposta imunitária.
Já as vacinas de vetor viral, tal como o próprio nome indica, produzem um efeito semelhante às vacinas mRNA, utilizando para tal uma versão modificada de um vírus diferente do qual se pretende combater (que será o vetor) e que por sua vez dará instruções ao corpo e para este produzir a referida spike protein, obtendo um efeito muito semelhante às vacinas mRNA.
A vacina altera o ADN
Ao contrário do que se possa acreditar, ambas as vacinas mRNA e de vetor viral não chegam a entrar no núcleo das células do nosso corpo. Conforme referido anteriormente, este tipo de vacina foca-se em instruções dadas ao corpo para combater a doença quando em contacto com o vírus.
Assim, é infundado qualquer receio quanto a possíveis alterações no ADN, já que a vacina acaba por não ter acesso ao núcleo das células, onde se localiza, precisamente, o ADN.











