A Apple abordou três novas vulnerabilidades de dia zero exploradas em ataques de instalação de spyware Triangulation em iPhones através de explorações de clique zero do iMessage. “A Apple tem conhecimento que esse problema pode ter sido explorado ativamente em versões do iOS lançadas antes do iOS 15.7”, diz a empresa ao descrever as vulnerabilidades do Kernel e do WebKit rastreadas como CVE-2023-32434 e CVE-2023-32435.
As duas falhas de segurança foram encontradas e relatadas pelos pesquisadores de segurança da Kaspersky, Georgy Kucherin, Leonid Bezvershenko e Boris Larin, e noticiadas pelo Washington Post.
A Kaspersky também publicou um relatório com detalhes adicionais sobre um componente de spyware do iOS usado numa campanha que a empresa de segurança cibernética rastreia como “Operação Triangulação”.
“O implante, que apelidamos de TriangleDB, é ativado depois dos invasores obterem privilégios de root no dispositivo iOS de destino, explorando uma vulnerabilidade do kernel. Este é implantado na memória, o que significa que todos os vestígios do implante são perdidos quando o dispositivo é reiniciado”, explicou a Kaspersky. “Portanto, se a vítima reiniciar o seu dispositivo, os invasores podem voltar a infetá-lo enviando um iMessage com um anexo malicioso, e iniciando assim toda a cadeia de exploração novamente. Se o aparelho não for reiniciado, o implante desinstala-se após 30 dias – pelo menos se se mantiver a configuração que tem hoje”, acrescenta.
Os ataques começaram em 2019 e ainda estão ativos, de acordo com a Kaspersky, que relatou no início de junho que alguns iPhones na sua rede foram infetados com spyware anteriormente desconhecido através de explorações de clique zero do iMessage.
A agência de inteligência e segurança FSB da Rússia também afirmou, após a publicação do relatório da Kaspersky, que a Apple forneceu à NSA (Agência de Segurança Nacional Americana) um backdoor para ajudar a infetar iPhones na Rússia com spyware. Entretanto foram detetados milhares de iPhones infetados pertencentes a funcionários do governo russo e funcionários de embaixadas em Israel, China e países membros da NATO.
“Nunca trabalhámos com nenhum governo para inserir um backdoor em qualquer produto da Apple e nunca trabalharemos”, disse um porta-voz da Apple.
A lista de dispositivos afetados é bastante extensa, pois o dia zero afeta modelos mais antigos e mais novos e inclui:
– iPhone 8 e posterior, iPad Pro (todos os modelos), iPad Air 3ª geração e posterior, iPad 5ª geração e posterior, iPad mini 5ª geração e posterior;
– iPhone 6s (todos os modelos), iPhone 7 (todos os modelos), iPhone SE (1ª geração), iPad Air 2, iPad mini (4ª geração) e iPod touch (7ª geração);
– Macs com macOS Big Sur, Monterey e Ventura;
– Apple Watch Series 4 e posterior, Apple Watch Series 3, Series 4, Series 5, Series 6, Series 7 e SE;
Desde o início do ano, a Apple corrigiu um total de 9 vulnerabilidades de dia zero que foram exploradas para comprometer iPhones, Macs e iPads.











